domingo, 12 de dezembro de 2010

Chapéu


Nunca vi chapéu como aquele, aquela droga de chapéu.
Me disseram:
- se o seu unico problema é um chapéu, por que voce nao compra logo essa droga de chapéu?
- porque ele nao é um, ele é o chapéu e com certeza é uma droga.
Nunca disse a ninguém sobre os cachos avermelhados que saiam do chapéu e o cheiro que eles exalavam. Nunca tinha visto um chapéu sorrir antes, mas aquelee o fez pra mim diversas vezes. Aquele sorriso era o verdadeiro, os outros seres que eu vi apenas aspiaravam um meio sorriso. Lembro-me daquele chapéu vir em minha direcao com as pernas mais bonitas que já vi, todas cheia de pintas, seus pontos vermelhos naturais. Ela era dona da sua própria constelacao, a unica que eu via à noite. Até que um dia ela me disse:
- O inverno chegou. Todos os chapéus sao levados pelo vento no inverno.
- E os trazem de volta? Como as pessoas sobrevivem sem seus chapéus? tive o silencio como resposta, pois o vento forte levou-a embora. A droga do chapéu se foi.

[to sem alguns acentooos D: ]

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Amanha vai ser outro dia

Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão, não.
A minha gente hoje anda
Falando de lado e olhando pro chãoViu?
Você que inventou esse Estado
Inventou de inventar
Toda escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar o perdão

(Coro) Apesar de você
amanhã há de ser outro dia
Eu pergunto a você onde vai se esconder
Da enorme euforia?
Como vai proibir
Quando o galo insistir em cantar?
Água nova brotando
E a gente se amando sem parar

Quando chegar o momento
Esse meu sofrimento
Vou cobrar com juros. Juro!
Todo esse amor reprimido,
Esse grito contido,
Esse samba no escuro

Você que inventou a tristeza
Ora tenha a finezade "desinventar"
Você vai pagar, e é dobrado,
Cada lágrima rolada
Nesse meu penar

(Coro2) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Ainda pago pra ver
O jardim florescer
Qual você não queria
Você vai se
o dia raiar
Sem lhe pedir licença
E eu vou morrer de rir
E esse dia há de virantes do que você pensa
Apesar de você

(Coro3) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia
Você vai ter que ver
A manhã renascer
E esbanjar poesia
Como vai se explicar
Vendo o céu clarear, de repente,
Impunemente?
Como vai abafar
Nosso coro a cantar,
Na sua frente.
Apesar de você

(Coro4) Apesar de você
Amanhã há de ser outro dia.
Você vai se dar mal, etc e tal,
La, laiá, la laiá, la laiá??

Chico, pode deixar ;)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

:)

—E você, por que desvia o olhar?

(Porque eu tenho medo de altura. Tenho medo de cair para dentro de você. Há nos seus olhos castanhos certos desenhos que me lembram montanhas, cordilheiras vistas do alto, em miniatura. Então, eu desvio os meus olhos para amarrá-los em qualquer pedra no chão e me salvar do amor. Mas, hoje, não encontraram pedra. Encontraram flor. E eu me agarrei às pétalas o mais que pude, sem sequer perceber que estava plantada num desses abismos, dentro dos seus olhos.)

— Ah. Porque eu sou tímida."

[texto de algum autor desconhecido]

domingo, 30 de agosto de 2009

Dose de Felicidade

Sentou-se á mesa e pediu para o garçom uma “dose de felicidade”. O garçom olhou para o rosto jovem da garota e dando uma gargalhada se retirou. E a felicidade chegou como um líquido ardente que lhe queimou a garganta, mas sabia que logo estaria feliz e aquele ardor já não teria tanta importância.
Estava sentido que podia fazer tudo! Desde voar até contar o que sentia para quem quisesse ouvir. Cambaleou um pouco de felicidade, falou besteira, pois queriam ouvir e riu de piadas que comumente não riria. E ficou a noite inteira nessa alegria e dança meio esquisita entre um passo e outro da ida e volta do banheiro. Ninguém se importava. Estavam todos no mesmo compasso.
No fim da noite estava cansada de tanta dança que escorregou cadeira a baixo e dormiu. Acordou em casa, o teto girava e o seu estômago também. Jogou a felicidade fora por onde entrou e sobrou apenas uma carcaça sem qualquer lembrança da noite passada e dos companheiros de dança.
Emanuela :)

quinta-feira, 2 de julho de 2009

clichê.


Pobre são os apaixonados que ouvem da boca dos seus amados palavras que instigam ainda mais a paixão. Palavras que são ditas apenas por dizer, vazias, sem significado algum. E que insistimos em entendê-las, buscar alguma interpretação para tudo aquilo que foi dito, sem saber que foram apenas palavras soltas, apenas um agrado. Depois somos culpados por termos nos apaixonado e como fomos idiotas ao amar alguém que toda noite dorme sossegado ou também preocupado com os próprios problemas de paixão. Mas só quem ama sabe a dor que cresce em nosso peito e a dificuldade que se tem em dormir, por sentir uma grande ansiedade e esperança de que amanhã, talvez, tudo ocorra de uma maneira diferente. Porém, nada é pior, e matou mais casais apaixonados, do que a saudade. A saudade de beijar, abraçar e sentir-se amado. Talvez, não dá forma que queríamos, mas do único jeito que nos é permitido. E se não nos permitem nem um pedacinho daquele amor, então, uma sensação louca percorre todo o nosso corpo e uma enorme tristeza atinge profundamente a alma, fazendo com que grande parte do nosso ego se despedace.
O amor tem também os seus efeitos colaterais, que talvez sejam maiores que os benefícios, mas o mais incrível é que nós sabemos de todos os problemas que a paixão pode nos causar, mas mesmo assim insistimos em algo, que muitas vezes dá errado, mas temos a esperança de que um dia possa dar certo.
Emanuela' :)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

dois mundos.


Compartilho de dois mundos opostos. O mundo das pessoas que se importam com a moral, a beleza, a seriedade e a perfeição (o mundo obscuro). E o mundo bom, louco, aconchegante e divertido (o mundo da luz).
Passo a maior parte do tempo no mundo das pessoas hipócritas, onde eu, por fazer parte desse mundo sem querer, acabo me tornando hipócrita como eles. Talvez, algumas pessoas também não pertençam a esse mundo rude, mas acabam se tornando como eu. Ou pior, acabam se convencendo de que aquele mundo obscuro é o certo.
Vivo e compartilho tudo com o mundo das trevas, porém, a minha família e amigos pertencem ao mundo da luz, onde se é permitido, rir conversar sobre tudo sem se preocupar com a tão ‘importante’ moral.
Como nada é perfeito, tanto o meu mundo como o obscuro, pode-se dizer que dentro desses mundos existem milhares de submundos, certos e errados. Sei que se eu fizesse parte do mundo obscuro diria as mesmas coisas que disse anteriormente. Estar fora da obscuridade
Independe dos lados e sim em reconhecer que o seu mundo, talvez não seja tão divino.
[texto: Emanuela']
[base do livro: Demian - Hermann Hesse]
" A vida de todo ser humano é um caminho em direção a si mesmo, a tentativa de um caminho, o seguir de um simples rastro. Homem algum chegou a ser completamente ele mesmo; mas todos aspiram a sê-lo, obscuramente alguns, outros mais claramente, cada qual como pode."
(Hermann Hesse)

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Sabiá


Em um belo dia eu estava a caminhar por um bosque, quando não pude deixar de notar a presença de um magnífico Sabiá. Ele aparentava ser tão adorável e, ao mesmo tempo tão genioso que eu tive medo de espantá-lo ao me aproximar. Poderia escolher vários caminhos, mas o que mais me agradou foi o de sentar e esperar. Observá-lo sem que notasse a minha presença. Passaram-se meses e eu continuava a ouvir o seu canto sorrateiramente.
Um caçador que também ficou maravilhado com tamanha beleza sentou-se ao lado oposto ao meu e também ficou a observar. Porém, ele não queria apenas contemplar aquele formoso pássaro, queria tê-lo para si. Então, enquanto eu estava desatento, ele construiu uma armadilha e o sabiá entregou-se por completo. Quando olhei ao meu redor, meus olhos não queriam acreditar no que estavam vendo. Ele havia ido embora sem deixar nenhum rastro. Eu estava completamente perdido, eu nunca mais veria o meu doce pássaro. Algumas semanas se passaram e eu continuava a procura do caçador, eu não ia desistir agora. Parei em uma casa de chá que ficava em algum lugar daquele imenso bosque. Sentei em uma das várias mesas e tomei um chá. Entrou um homem que me parecia familiar, ele carregava uma gaiola, nas costas, coberta com um pano preto. Por trás daquele pano pude ouvir um canto abafado, era ele. Era o meu Sabiá que estava ali escondido. Tê-lo tão perto, porém, fora do meu alcance foi doloroso. O caçador saiu da casa, eu saí logo em seguida. Precisava saber o que ele estava fazendo com o meu pássaro. Chegamos à beira de um riacho, ele colocou a gaiola em cima de uma pedra e retirou o pano. Lá estava ele, belo como sempre. A primeira coisa que fiz foi rir aliviado, ele estava bem. O caçador foi pegar água em uma fonte não muito distante, aproveitei para ficar mais próximo do Sabiá. Ele olhou fundo nos meus olhos e transmitiu toda felicidade que estava sentindo para mim. Minha preocupação tinha sido em vão. Liberei algumas lágrimas, dando as costas e deixando para trás o meu pássaro contente. De uma coisa eu pensei ter certeza: eu não voltaria mais a vê-lo.
Os meses passavam vagarosamente sem o doce canto que entrava pelo meu ouvido e percorria todo o meu corpo. Tomei coragem, então, e voltei para o lugar onde toda aquela fixação havia começado. Sentei em uma pedra, que por um segundo me pareceu iluminada, e esperei o tempo passar. Algum tempo depois, ouvi os arbustos se mexerem. Por trás de todo aquele movimento surgiu o caçador. Pensei em fugir para não ter que ver aquele homem novamente, mas o meu nervosismo me fez congelar naquela posição. Ele passou ao meu lado, parecia não me ver. Retirou a gaiola das costas, colocando-a no chão. Puxou o pano bruscamente e retirou o Sabiá de dentro, colocando-o no chão do bosque. Sem olhar pra trás ele levantou e saiu, deixando o pássaro lá, imóvel. Quando o caçador saiu do meu campo de visão tomei coragem para me aproximar do sabiá, eu tinha que ser cauteloso, qualquer movimento brusco poderia fazer com que o pássaro se assustasse e voasse para longe. Quando, enfim, fiquei perto dele olhei fundo nos seus olhos e sua tristeza tomou conta de mim. O caçador já havia usufruído toda sua beleza e canto, agora não precisava mais dele. Peguei-o com cuidado entre as minhas mãos. Não fez nenhum movimento, mas eu podia sentir o pulsar do seu pequeno, e agora magoado, coração. Ele não sabia mais voar, desaprendera depois de tanto tempo preso em uma gaiola. Não enxergava mais nada, só o que queria. Passei alguns dias ensinando-o a voar, mesmo sabendo que quando reaprendesse ele voaria atrás do seu caçador. Cada progresso que ele dava, era um retrocesso para mim, mas o que eu poderia fazer? Aprisioná-lo em uma gaiola impedindo-o de cometer o mesmo erro duas vezes? Ele não via aquilo como erro e sim como um desejo. Eu deixaria ele seguir o seu coração, assim como eu estava segundo o meu, ajudando-o. Mais dias se passaram e ele já estava voando perfeitamente. Por alguns minutos eu havia esquecido que a sua visão estava parcialmente afetada, focando-se apenas na sua idealização de amor. Acordei pela manhã mais calmo, vários dias haviam passado e o sabiá ainda não tinha partido. Talvez, ele tivesse desistido. Doce ilusão, olhei de um lado para o outro, nem sinal dele. Dessa vez eu não persistiria mais, voltaria para casa. Não tive mais notícias dele, não diretamente.
Lembro-me que toda temporada de caça era possível ouvir os tiros, seguidos de um canto de sabiá. Chorei ao lembrar dos olhos que transmitiam tantos sentimentos. Deixei-o voar para sempre dos meus olhos, mas jamais do meu coração.

[texto: Emanuela']

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

flor


Queria poder todos dias, durante toda a minha vida, te dar uma flor. Cada dia uma flor diferente. De cores, formatos e tamanhos diversos. Cada uma que eu te desse, teria um significado. Uma importância. Por ultimo, te daria a mais bela de todas, para que você percebesse quão grande é a sua importância para mim.
Porém, não posso te dar todas as flores, pois a ultima, a mais bela de todas, eu não tenho. Pois a ultima, a mais bela de todas, é você.


[texto: Emanuela']

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

metas

Não sei quem, hoje, sou. Porém, tenho uma meta. Acredito que o Homem não é nada sem metas. Posso não saber quem sou, mas pelo menos a minha meta eu tenho. Meta: Quando eu tiver 70 anos, eu quero ser um homem negro com black power branco.
[texto: Emanuela']

sexta-feira, 3 de outubro de 2008




É, parece que os meus olhos não podem mais seguir os teus, cobertos com uma felicidade ilusória. Sei que o que mais me atinge, é saber que você não se contenta com o que tem, tendo mais que todo o mundo. Pare de nos machucar, meu bem, pois cada palavra que refere-se a você de forma danosa, faz com que pedaços de mim sejam arrancados sem piedade. Porfavor, não peça desculpas, meus pedaços não vão mais retornar. Apenas fique bem, para que o meu coração possa sorrir sossegado. Me despeço agora dos olhos teus, que a minha penitência já paguei. [texto incompleto]

Texto: Emanuela
O desenho Bonito : Emanuela

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Camelo...



Todos os olhares o seguiam em todos os lugares. Quanto mais o olhava e ouvia, mais o desejava. Doce canção que passava pelos meus ouvidos percorria todo o meu corpo e fixava-se na minha alma. Esperei anos por aquele momento que demorou tanto para chegar e passou antes que eu pudesse tocar. Pude ver de perto toda a perfeição que nele continha, meu peito se encheu de alegria, sua voz e sorriso, sentia uma enorme gratificação. Abracei-o, o mais forte que consegui para retirar toda a essência daquele momento. O cheiro, a textura da sua roupa, pele, um era o complemento do outro a caminho da perfeição. Fazendo com que meu corpo se desse por satisfeito.

(emanuela)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

cogumelilite


"Duention era pequeno ainda, porém, sábio. Com seus recém completados oito anos, falava apenas o necessário, estranho para uma criança da sua idade. Morava com sua avó. Ambos tinham o mesmo tamanho, talvez ela fosse um cm menor, quase imperceptível.
Moravam em um enorme cogumelo, velho e quase caindo aos pedaços. Seu vilarejo, cogumelilite, fora devastado pelas pragas há algumas semanas, só restaram poucas famílias, outras foram procurar abrigo em outro lugar.
Certo dia, Duention foi para perto do arco-íris. Sua avó sempre dizia que era perigoso demais para ele. Mas como era um garoto curioso subiu até onde pode naquele enorme lugar de sete cores maravilhosas e brilhantes. Não conseguiu acreditar no que viu lá de cima. Atrás de onde estava viu cogumelilite, destruída, acabada e percebeu que não teria futuro ali. Olhou para frente e viu uma bela cidade toda feita de ouro, não conseguiu se quer pensar correu de encontro aquele lugar de um dourado incomum. Ele só não esperava que ao atravessar o arco-íris trocaria de sexo. É! Ele se lembra agora a sua avó tinha comentado algo com ele de fato, mas acreditava ser apenas algum tipo de lenda para que ninguém atravessasse e encontrasse aquela cidade incomum. Não se importou. Afinal,estava rico agora, e nada mais importava. Correu para uma loja de doces que tinha lá e observou, não tinha dinheiro para comprar nada. Mas que bobagem a dele, era só pegar uma folha de uma árvore e comprar seus tão sonhados doces.
À noite chegou e estava frio, nunca tinha sentido aquilo seu vilarejo era sempre quente e aconchegante, não se importou e dormiu em uma esquina qualquer.
Alguns dias depois teve a oportunidade de se olhar em um espelho e viu que não tinha mais o rosto de um garoto de oito anos e sim de trinta, porém, sua beleza e juventude ainda continuavam presentes. Mas isso era loucura ele tinha certeza que só estava lá há no máximo quatro dias, aquela cidade era bela, bela e amaldiçoada. Correu em direção ao arco-íris que ainda estava lá e o atravessou. Teve suas lembranças de volta e sua sexualidade também, mas o seu vilarejo havia desaparecido e seus trinta e poucos anos aparentes continuavam lá, lembrou-se que tinha uma avó e sentiu saudades dela, como fora egoísta. Foi em direção a sua antiga casa e onde antes tinha um enorme cogumelo, agora tinha um pequeno que começava a crescer. Recomeçaria sua vida ali, sozinho, por ter pensado apenas em si."
texto: emanuela =]

domingo, 4 de maio de 2008

Aparência

Não era um menino qualquer. Talvez, aparentemente, igual a qualquer outro. Mas, ela sabia que não, tinha algo mais. Não tinha medo de mostrar como se sentia, estava sempre com o seu sorriso sincero no rosto e com seus cabelos castanhos desgrenhados cobrindo-lhe os olhos. Tinha acabado de completar 17 anos e não aparentava nem mais nem menos, era alto e acreditava ser forte. Tinha um sonho, e ela o invejava por isso. Dizer que se tem um é fácil, difícil é tê-lo de verdade ou realmente desejá-lo. Sabia proporcionar as melhores gargalhadas que alguém poderia ter. Seus olhos observavam tudo, mas não comentava o que via guardava para si. Confiava nele, aquele garoto que mal conhecia e ao mesmo tempo parecia conviver a anos, mas mesmo assim não era capaz de dizer completamente como ele era, queria ser capaz de dizer mais. De demonstrar como ele era engraçado e diferente, como aquela maneira de falar e de olhar a deixava mais contente e como em tão pouco tempo, não era mais um estranho e sim um conhecido de anos.

domingo, 27 de abril de 2008

som

O baixo era o instrumento de maior agrado para ela. Seguido da guitarra e da batéria, sentia cada um deles como se trabalhassem separados. Juntos formavam estilos e gostos diferentes. Quando ouvia algumas lembrava de coisas e lugares como se estivesse lá, outras eram capazes de leva-la a lugares onde jamais esteve e em épocas diferentes. Se sentia tão bem que seria capaz de levar hras só ouvindo-as, dedicando-se apenas a elas. Quando tocava o violão que ganhara do seu pai, cada corda tinha um som diferente, ouvia cada uma várias vezes, para primeiro senti-las e depois junta-las criando um novo som que a deixava em outro lugar, um lugar onde era apenas ela e a musica.

dedicado a: Victor =]
Texto de: Emanuela

Ficava na janela só para poder sentir aquela leve brisa que batia no seu pêlo fazendo-0 voar. Não podia mais ver já fizia um ano. Mas, ainda podia sentir e ouvir tudo que se passava ao seu redor e lá fora, naquele mundo imenso. Não lembrava mais como eram aquelas pessoas que o rodiavam, porém, sabia destinguilas .
Quando a brisa o tocava, levantava a cabeça como se ela o dissesse algo de extrema importância e ouvia tudo com muita atenção. Depois, fazia um 'sim' com a cabeça como quem diz que entendeu e retornava ao seu posto. Abanava o seu pequeno e felpudo rabo branco, quando diziam algo que o agradava ou sentia alguém desejado por perto. Junto com o seu rabo suas patas acompanhavam o rápido compasso, com um sapateado louco.

Texto de: emanuela

quarta-feira, 23 de abril de 2008

cotidiano

Acordou naquela manhã com a idéia de que seria um dia comum, sem surpresas. Olhou o relógio e como sempre, estava atrasado. Levantou da cama, tocou primeiro um pé, depois o outro como se quisesse ter certeza de que já tinha acordado. Andou sonolento até o banheiro e tomou um banho demorado, olhou-se no espelho, mas não se viu e sim o que estava por dentro: vazio. Desceu e tomou um café forçado, odiava aquele gosto amargo, podia colocar mais açucar que café e mesmo assim continuaria amargo. Saiu sem dar atenção a ninguem em direção ao ponto de ônibus, sempre esperava naquele ponto durante horas, mas naquele dia não, demorou apenas o suficiente para ficar irritado e ter certeza que era um dia igual a todos.
Chegou na imprensa 30 minutos atrasado, como sempre, sentou e começou a digitar idéias inuteis que se passavam pela sua cabeça, levou uma grande bronca do seu patrão recatado, apenas ouviu e continuou a digitar. Todos sairam para almoçar, mas como sempre ficou lá digitanto, acabou a hora do almoço, hora de ir embora, pegou suas coisas e saiu, era quase um fantasma. Separou dois reais para o ônibus e dois reais para os meninos que o assaltavam todo o dia ao mesmo horário, mas naquele dia, como sempre, eles levaram todos os quatro reais, tendo que voltar para casa a pé. Exausto, comeu, tomou um belo banho e sentou-se na cama, teve a certeza de uma coisa : foi um dia comum e sem surpresas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

consequência


Pisou naquela terra macia e molhada, sua sandália, vermelha, cara e de muito bom gosto, mergulhava em um compasso rápido e desengonçado na terra. Ela não andava porque queria e sim porque fora obrigada, caira diversas vezes no chão e sentira um certo ardor nos joelhos já cansados de depositar todo o peso do corpo sobre eles. Não podia ver, pois seus olhos estavam cobertos por uma venda, mas podia sentir o cheiro de grama humida e do inverno que ainda se mostrava presente.
Durante aquele longo percurso, com pessoas que não sabia, o nome, nem o que queriam, sentiu medo, não era uma garota qualquer, acreditava, pois nunca tinha se sentido ameaçada a tal ponto. Queria saber o que queriam. Afinal, quem seria capaz de machucar uma garota tão doce e amigavel? Certo, talvez não tão amigavel assim, não tinha amigos e nem os desejava, total perda de tempo. Mas, naquela hora desejou, pensou que se talvez não fosse tão arrogante, não seria tão odiada e não estaria ali, seus pensamentos foram rompidos por um grande impurrão que a fez sentar, estava com as mão livres mas teve medo de move-las, perguntou o que queriam mas a unica coisa que teve como resposta foi o eco da sua voz. Tirou a venda, mas mesmo assim continuava escuro, só com a luz da lua conseguiu perceber onde estava: em um enorme cemitério, sombrio e o silêncio só não era completo por sua respiração ofegante, estava sozinha, sem ninguém. Pensou nas possibilidades de pessoas que talvez tivessem a trazido ali e chegou a uma conclusão : sua conciência
Texto: Emanuela

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Baile de mascaras




Tatiana acabara de completar 16 anos, estava no meio de uma enorme festa, onde todos se divertiam, todos menos ela, nem parecia ser seu aniversário. Convidara todos os colegas e amigos que seus pais quiseram, aquela festa não passava de negocíos. Seu melhor amigo não fora chamado, pois seus pais não permitiram que aquele garoto excentrico, e que eles acreditavam ser uma pessima influência, participasse de uma festa aparentemente perfeita.
Não aguentava mais, tinha que sair daquele lugar. Tinha passado várias vezes na frente do espelho, mas só agora reparava como estava bela, o longo vestido azul anil com detalhes brancos lhe dava um certo charme, seus longos cabelos pretos e ondulados pareciam ter volume essa noite, seus olhos pequenos estavam cobertos com uma maquiagem forte, aquilo não era ela. Agora, mais do que nunca queria fugir, correndo. "Psiu" foi oque ela ouviu, olhou de um lado para o outro à procura daquele som. "Psiu" tornou a chamar, olhou em direção ao portão e viu lucas, seu amigo, o sorriso se escancarou o primeiro verdadeiro da noite[...]




Titulo dado por: Tatiana

Texto: Emanuela

terça-feira, 15 de abril de 2008

Tic-Tac


Estou correndo muito, mas não saio do lugar, algo me persegue. Olho para trás e não vejo nada só escuridão. Porém, ouço "tic-tac", ele está próximo.
De um lado para outro eu observo e continuo a correr inutilmente, “tic-tac” perto demais agora, olho novamente para trás, consigo enxergar formas conhecidas agora, mas não sei distinguir o que. Paro a corrida sem destino e analiso a forma que começa a ganhar sentido: números! Um enorme relógio de ouro branco, distorcido completamente, corre em minha direção, dou um passo à frente e caio. Acordo em um enorme rio, um rio... marrom? olho assustada, penso: "Um enorme rio de chocolate!" mas talvez aquele sonho ainda não tivesse chegado tão longe assim, era apenas café. Aquele sonho estava ficando ruim demais, como acordar? talvez um pouco de café amargo me leve de volta para a realidade. Bebi e como um impulso acordei na mesa gelada da escola. Olhei, talvez o café não estivesse tão ruim assim. Doce realidade.
Quadro: Salvador Dali
Texto: Emanuela

sábado, 12 de abril de 2008

perceba .


Ficamos trancados na cidade, tendo a impressão de que o mundo é só aquilo, prédios, pessoas chatas, jornais, problemas e sujeira. Até que um dia decidimos sair de férias e procuramos o lugar perfeito, e tem que ser de fato perfeito. Então, viajamos e quando chegamos ao destino ficamos maravilhados, como existe um lugar desses e não tinhamos percebido antes, e pensamos que não somos nada em relação ao universso e como os nossos problemas são imperceptiveis comparado a grandeza do que estamos a observar. E então tudo que você pensava a segundos atrás simplismente se esvazia da nossa mente e começa a se sentir bem, mais bonita(o) e diferente. Percebemos que a vida não tem nada a ver com que as pessoas acham que sabem, ou qual é o sentido da palavra verdade. Verdade pra quem? pra você? talvez não seja pra mim. E nem sempre oque dizem está certo, até o melhores podem dizer coisas que talvez não concordemos. Afinal, cada um pensa e se sente diferente em relação a algo e ser igual ao outro não vale apena ser diferente é muito mais interessante.
por Emanuela ;*