terça-feira, 30 de setembro de 2008

Camelo...



Todos os olhares o seguiam em todos os lugares. Quanto mais o olhava e ouvia, mais o desejava. Doce canção que passava pelos meus ouvidos percorria todo o meu corpo e fixava-se na minha alma. Esperei anos por aquele momento que demorou tanto para chegar e passou antes que eu pudesse tocar. Pude ver de perto toda a perfeição que nele continha, meu peito se encheu de alegria, sua voz e sorriso, sentia uma enorme gratificação. Abracei-o, o mais forte que consegui para retirar toda a essência daquele momento. O cheiro, a textura da sua roupa, pele, um era o complemento do outro a caminho da perfeição. Fazendo com que meu corpo se desse por satisfeito.

(emanuela)

quarta-feira, 14 de maio de 2008

cogumelilite


"Duention era pequeno ainda, porém, sábio. Com seus recém completados oito anos, falava apenas o necessário, estranho para uma criança da sua idade. Morava com sua avó. Ambos tinham o mesmo tamanho, talvez ela fosse um cm menor, quase imperceptível.
Moravam em um enorme cogumelo, velho e quase caindo aos pedaços. Seu vilarejo, cogumelilite, fora devastado pelas pragas há algumas semanas, só restaram poucas famílias, outras foram procurar abrigo em outro lugar.
Certo dia, Duention foi para perto do arco-íris. Sua avó sempre dizia que era perigoso demais para ele. Mas como era um garoto curioso subiu até onde pode naquele enorme lugar de sete cores maravilhosas e brilhantes. Não conseguiu acreditar no que viu lá de cima. Atrás de onde estava viu cogumelilite, destruída, acabada e percebeu que não teria futuro ali. Olhou para frente e viu uma bela cidade toda feita de ouro, não conseguiu se quer pensar correu de encontro aquele lugar de um dourado incomum. Ele só não esperava que ao atravessar o arco-íris trocaria de sexo. É! Ele se lembra agora a sua avó tinha comentado algo com ele de fato, mas acreditava ser apenas algum tipo de lenda para que ninguém atravessasse e encontrasse aquela cidade incomum. Não se importou. Afinal,estava rico agora, e nada mais importava. Correu para uma loja de doces que tinha lá e observou, não tinha dinheiro para comprar nada. Mas que bobagem a dele, era só pegar uma folha de uma árvore e comprar seus tão sonhados doces.
À noite chegou e estava frio, nunca tinha sentido aquilo seu vilarejo era sempre quente e aconchegante, não se importou e dormiu em uma esquina qualquer.
Alguns dias depois teve a oportunidade de se olhar em um espelho e viu que não tinha mais o rosto de um garoto de oito anos e sim de trinta, porém, sua beleza e juventude ainda continuavam presentes. Mas isso era loucura ele tinha certeza que só estava lá há no máximo quatro dias, aquela cidade era bela, bela e amaldiçoada. Correu em direção ao arco-íris que ainda estava lá e o atravessou. Teve suas lembranças de volta e sua sexualidade também, mas o seu vilarejo havia desaparecido e seus trinta e poucos anos aparentes continuavam lá, lembrou-se que tinha uma avó e sentiu saudades dela, como fora egoísta. Foi em direção a sua antiga casa e onde antes tinha um enorme cogumelo, agora tinha um pequeno que começava a crescer. Recomeçaria sua vida ali, sozinho, por ter pensado apenas em si."
texto: emanuela =]

domingo, 4 de maio de 2008

Aparência

Não era um menino qualquer. Talvez, aparentemente, igual a qualquer outro. Mas, ela sabia que não, tinha algo mais. Não tinha medo de mostrar como se sentia, estava sempre com o seu sorriso sincero no rosto e com seus cabelos castanhos desgrenhados cobrindo-lhe os olhos. Tinha acabado de completar 17 anos e não aparentava nem mais nem menos, era alto e acreditava ser forte. Tinha um sonho, e ela o invejava por isso. Dizer que se tem um é fácil, difícil é tê-lo de verdade ou realmente desejá-lo. Sabia proporcionar as melhores gargalhadas que alguém poderia ter. Seus olhos observavam tudo, mas não comentava o que via guardava para si. Confiava nele, aquele garoto que mal conhecia e ao mesmo tempo parecia conviver a anos, mas mesmo assim não era capaz de dizer completamente como ele era, queria ser capaz de dizer mais. De demonstrar como ele era engraçado e diferente, como aquela maneira de falar e de olhar a deixava mais contente e como em tão pouco tempo, não era mais um estranho e sim um conhecido de anos.

domingo, 27 de abril de 2008

som

O baixo era o instrumento de maior agrado para ela. Seguido da guitarra e da batéria, sentia cada um deles como se trabalhassem separados. Juntos formavam estilos e gostos diferentes. Quando ouvia algumas lembrava de coisas e lugares como se estivesse lá, outras eram capazes de leva-la a lugares onde jamais esteve e em épocas diferentes. Se sentia tão bem que seria capaz de levar hras só ouvindo-as, dedicando-se apenas a elas. Quando tocava o violão que ganhara do seu pai, cada corda tinha um som diferente, ouvia cada uma várias vezes, para primeiro senti-las e depois junta-las criando um novo som que a deixava em outro lugar, um lugar onde era apenas ela e a musica.

dedicado a: Victor =]
Texto de: Emanuela

Ficava na janela só para poder sentir aquela leve brisa que batia no seu pêlo fazendo-0 voar. Não podia mais ver já fizia um ano. Mas, ainda podia sentir e ouvir tudo que se passava ao seu redor e lá fora, naquele mundo imenso. Não lembrava mais como eram aquelas pessoas que o rodiavam, porém, sabia destinguilas .
Quando a brisa o tocava, levantava a cabeça como se ela o dissesse algo de extrema importância e ouvia tudo com muita atenção. Depois, fazia um 'sim' com a cabeça como quem diz que entendeu e retornava ao seu posto. Abanava o seu pequeno e felpudo rabo branco, quando diziam algo que o agradava ou sentia alguém desejado por perto. Junto com o seu rabo suas patas acompanhavam o rápido compasso, com um sapateado louco.

Texto de: emanuela

quarta-feira, 23 de abril de 2008

cotidiano

Acordou naquela manhã com a idéia de que seria um dia comum, sem surpresas. Olhou o relógio e como sempre, estava atrasado. Levantou da cama, tocou primeiro um pé, depois o outro como se quisesse ter certeza de que já tinha acordado. Andou sonolento até o banheiro e tomou um banho demorado, olhou-se no espelho, mas não se viu e sim o que estava por dentro: vazio. Desceu e tomou um café forçado, odiava aquele gosto amargo, podia colocar mais açucar que café e mesmo assim continuaria amargo. Saiu sem dar atenção a ninguem em direção ao ponto de ônibus, sempre esperava naquele ponto durante horas, mas naquele dia não, demorou apenas o suficiente para ficar irritado e ter certeza que era um dia igual a todos.
Chegou na imprensa 30 minutos atrasado, como sempre, sentou e começou a digitar idéias inuteis que se passavam pela sua cabeça, levou uma grande bronca do seu patrão recatado, apenas ouviu e continuou a digitar. Todos sairam para almoçar, mas como sempre ficou lá digitanto, acabou a hora do almoço, hora de ir embora, pegou suas coisas e saiu, era quase um fantasma. Separou dois reais para o ônibus e dois reais para os meninos que o assaltavam todo o dia ao mesmo horário, mas naquele dia, como sempre, eles levaram todos os quatro reais, tendo que voltar para casa a pé. Exausto, comeu, tomou um belo banho e sentou-se na cama, teve a certeza de uma coisa : foi um dia comum e sem surpresas.

terça-feira, 22 de abril de 2008

consequência


Pisou naquela terra macia e molhada, sua sandália, vermelha, cara e de muito bom gosto, mergulhava em um compasso rápido e desengonçado na terra. Ela não andava porque queria e sim porque fora obrigada, caira diversas vezes no chão e sentira um certo ardor nos joelhos já cansados de depositar todo o peso do corpo sobre eles. Não podia ver, pois seus olhos estavam cobertos por uma venda, mas podia sentir o cheiro de grama humida e do inverno que ainda se mostrava presente.
Durante aquele longo percurso, com pessoas que não sabia, o nome, nem o que queriam, sentiu medo, não era uma garota qualquer, acreditava, pois nunca tinha se sentido ameaçada a tal ponto. Queria saber o que queriam. Afinal, quem seria capaz de machucar uma garota tão doce e amigavel? Certo, talvez não tão amigavel assim, não tinha amigos e nem os desejava, total perda de tempo. Mas, naquela hora desejou, pensou que se talvez não fosse tão arrogante, não seria tão odiada e não estaria ali, seus pensamentos foram rompidos por um grande impurrão que a fez sentar, estava com as mão livres mas teve medo de move-las, perguntou o que queriam mas a unica coisa que teve como resposta foi o eco da sua voz. Tirou a venda, mas mesmo assim continuava escuro, só com a luz da lua conseguiu perceber onde estava: em um enorme cemitério, sombrio e o silêncio só não era completo por sua respiração ofegante, estava sozinha, sem ninguém. Pensou nas possibilidades de pessoas que talvez tivessem a trazido ali e chegou a uma conclusão : sua conciência
Texto: Emanuela